Donos de supermercados são previdentes e elas retornam azeitadas. As maquininhas que nos aterrorizaram no período inflacionário podem ser vistas nas mãos dos funcionários a dispararem diariamente novos preços. E delas não escapam produtos sejam quais forem. Vale para a batata nacional como para o brie importado a dólar cada dia mais barato. Este é o Brasil que Lula legou a Presidente Dilma, que agora vai ter que segurar a onda. A propósito, soou como piada a afirmativa de que a gasolina não vai subir em abril. Piada, não. Um anúncio oficial de que subirá em maio. Aguardem.
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Quem sou eu
- FC-ANDRADE
- Não sou uma ave estrigiforme. Portanto nada de superstição de que adivinho a morte com o meu piar e esvoaçando meu pensamento. Símbolo da sabedoria, estou longe de ser. Mas giro meu pescoço 180 graus como elas e, atento, passo em revista o que leio por aí, acrescentando fatos aos hiatos. Sem maiores pretensões, é bom que eu o diga. Sou pessoa insatisfeita com a minha cara. Afinal, não me esculpi como gostaria. Constato diferenças entre a esquerda e a direita. Gosto mais da esquerda. Não que me pareça ser ela a ideal, mas é menos imperfeita. O meu olhar esquerdo vê melhor as coisas direitas. Já o direito se turva quando eu o fixo nas esquerdas. Meu oftalmologista atribui as distorções ao meu mau jeito de focar as coisas. A parte direita do lábio revela ser bem mais confiável quando se manifesta em falas de muito pouca importância. Também a orelha esquerda e bem melhor recortada e me ardem menos quando de mim falam mais. No mais, jornalista de profissão e marchand por opção, pai de filha e avô de neto. Torcedor do Fluminense, amante de corridas de cavalos e orgulhosamente carioca.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
VELCROS
Alguém consegue não ver como oportunismo a criação do velho PSD? Essa conversa de que os políticos VELCROterão independência para apoiar ou não o Governo dá dimensão ao que vem por aí. Apoiou, leva. É a volta oficial dos ensinamentos de São Francisco de que é dando que se recebe. E os políticos adesistas não são bestas de virar às costas as benesses governamentais. Bestas, sim, são os eleitores que ao votarem neles acreditaram que os partidos que lhes cederam suas legendas não viriam a ser traídos no primeiro aceno de um Kassab da vida.
domingo, 17 de abril de 2011
MUITO ESTRANHO
O Secretário do Estado Carlos Minc foi à luta e pôs-se à frente de uma blitz que multou dois empreendimentos que jogavam seus dejetos nas lagoas de Marapendi e da Barra da Tijuca. Não é novidade que esses condomínios do entorno das lagoas degradam o meio ambiente por não cumprirem o decreto que os obriga a se conectarem à rede de esgotamento sanitário da CEDAE, no prazo de sessenta dias. O Rio-2, por exemplo, existe há alguns anos e foi um dos dois multados. Como única preocupação na exploração imobiliária, os construtores se fixam em criar ambientes tais como áreas de lazer, academias de ginástica, fachadas majestosas e outras iguarias para enganar os que empolgam por esse tipo de cardápio que lhes parece salutar e que, na verdade, escondem riscos à saúde por infestados de mosquitos. Isso sem falarmos nos preços dos imóveis que chegam a casa dos milhões e, ditos como da Barra da Tijuca, construídos próximos de Jacarepaguá ou nas proximidades de Vargem Grande. Tudo sob a vista grossa dos governantes homenageados com almoços e jantares ou premiados com polpudas doações em suas campanhas eleitorais. O que nos parece muito estranho é que a mídia tenha silenciado imediatamente após ter noticiado a atuação do Secretário Carlos Minc, dando a impressão que um valor mais alto se elevou, imobilizando-o e aos seus funcionários na direção do politicamente correto de não permitir que esses construtores transformem as lagoas no grande vaso sanitário da Zona Oeste.
LIVRE ESCOLHA
Fosse por livre escolha e os servidores e aposentados do Município do Rio de Janeiro não poderiam reclamar dos abusos cometidos pelo Banco Santander contra eles. Mas ocorre que não são correntistas por livre escolha. A gestão de suas contas foi dada por um contrato firmado entre a Prefeitura e o banco dos espanhóis e assim se vêem obrigados a aceitarem as ilegalidades impostas, tais como cobranças abusivas de tarifas, débitos em conta não autorizados e envio de seus nomes ao SERASA, quando em conflito se negam a pagar algum débito em que estão embutidos juros sobre juros cumulativamente, o que não só é ilegal constitucionalmente, como fere frontalmente normas do Banco Central. Que poder é esse dado ao banco dos espanhóis? É a resposta que cabe ao Prefeito Eduardo Paes responder. A não ser que...
CANDIDATO EM POTENCIAL
O The New York Times, numa longa matéria com chamada na primeira página, admitiu a candidatura de Donald Trump nas eleições americanas de 2012. Os nossos cientistas políticos já podem analisar a possibilidade do empresário Eike Batista vir a se candidatar atingida a meta dos trinta bilhões de dólares prevista para 2014/2015 que lhe dará um lugar no pódio da lista da Forbes. Um empresário bem sucedido, com trinta bilhões de dólares, com ficha limpa e sem precisar passar o pires entre empreiteiros e banqueiros, seria muito bem visto como candidato pelo povo. E conta a seu favor com investimentos que faz visando a melhoria de projetos ambientais e sociais. E a seu favor ainda mais que se pires vierem a existir serão os dos políticos candidatos a cargos eletivos. Eike se encaixa como uma luva na manchete do The New York Times, bastando apenas trocar os nomes Trump por Batista: Trump for President in 2012? Maybe. Trump for Trump? Without Question.
OPOSIÇÃO A OPOSIÇÃO
A Oposição atual no Brasil é uma grande piada. À parte do adesismo de alguns políticos oposicionistas à Situação que governa para beneficiarem-se da boca rica do Poder, se vê com freqüência a disputa Serra x Aécio, a se contestarem a cada posicionamento um do outro. Está faltando um maestro nessa história para que o bumbo silencie quando o violino der seu acorde, pois do jeito que a orquestra toca aos nossos ouvidos só faz desafinar. No tempo da minha avó, mandava quem podia e cumpria quem tinha juízo. Pelo que nos é mostrado, ainda usando os ditos da minha sábia vovó, se um burro fala não a jeito do outro abaixar a orelha...
DESPREZO PELA CULTURA
Para que se tenha idéia do quanto a Prefeitura do Rio despreza a Cultura, procure ver o estado lastimável em que se encontra uma escultura de Sérgio Camargo (1930-1990), artista brasileiro de renome internacional. A Tate Gallery, de Londres, abriga cuidadosamente e carinhosamente em exposição permanente algumas obras desse excepcional artista construtivista em seu acervo. Aqui, no Parque da Catacumba, um espaço que deveria merecer os maiores cuidados pelas obras que lá se encontram, jaz uma obra de Sérgio Camargo em escombros. Inacreditável! E foi de lá, da Catacumba, espaço que tanto orgulho nos deveria trazer, que desapareceu um dos móbiles de Calder, sem que até hoje, passados tantos anos, ficasse esclarecida a mágica do Mister M ladrão, que a levou certamente desmontada para ser vendida no exterior por algumas centenas de milhares de dólares. E vejam na foto acima o destaque e o cuidado da prefeitura de São Paulo com a escultura de Sérgio Camargo que se encontra na Praça da Sé naquela cidade.
domingo, 23 de janeiro de 2011
MARES DE LAMA... RIOS DE PROMESSAS
MARES DE LAMA... RIOS DE PROMESSAS
A cada nova tragédia, surgem os governantes com ares compungidos a anunciar providências que dormitavam desde a tragédia anterior. Ninguém dúvida que seja difícil mensurar qual seja o volume necessário de água vinda dos céus para fazer o inferno na terra. Mas as evidências demonstram que políticas habitacionais e ambientais que poderiam amenizar os efeitos causados pelas enxurradas só são lembradas nas falas de efeito diante da destruição e dos cadáveres dos que não são poupados pela negligência.
E nos chegam os salvadores dos lares destruídos anunciando áreas seguras desapropriadas para construção de novas moradias. Se elas existiam e estavam lá à disposição dos projetos por que não iniciativas que os executassem? O dinheiro há, diz a Presidenta Dilma, que culpa as prefeituras de não apresentarem a planilha para que seja liberado. A cada desabamento chega o Governador ainda que com algum atraso, põe o Pezão na lama, sobe no palanque e insinua que o meã culpa fique por conta dos que desafiam a lei da gravidade com seus barracos coloridos ou não em encostas de grande risco. E seguem-se anúncios de verbas liberadas para aluguéis sociais, permissão de aumento de prazos para pagamentos de tributos e benesses como as de permitir que o trabalhador sobrevivente possa sacar quatro mil e tantos reais do seu FGTS para reconstruir sua vida. Nada mais surreal.
Ninguém tem dúvida que novas chuvas virão. E elas chegarão com paus e pedra no fim do caminho, sem a poesia de Tom Jobim, mas com corpos despedaçados e putrefatos de milhares de brasileiros que se perfilaram diante da obrigatoriedade de irem às urnas na crença de um Brasil mais justo e igualitário.
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